Fazer caras como meninas curtas

Sobre ser crente..

2020.08.19 01:38 sweet_gih Sobre ser crente..

Eu sou cristã mas não frequento nenhuma igreja. Fui criada dentro de uma igreja evangélica,mas com o tempo percebi q não me sentia bem ali. Visitei milhares de igrejas,tanto evangélicas quanto católicas..Não gostei de nenhuma. Eu faço minhas orações em casa msm. Só que hoje,eu estava no ponto de ônibus conversando com uma menina,ela perguntou se eu tinha alguma religião e eu respondi "Sim,sou crente",ela respondeu "crente?" "Sim..pq?" "Pelo q eu sei crente usa saia". Confesso q fiquei um pouco irritada mas entendi o pensamento dela. Quando eu falo q sou crente,algumas pessoas acham estranho pq geralmente uma mulher crente usa uma saia comprida,cabelo até o pé,bíblia embaixo do braço...mas não é assim né mano. Sou cristã,crente...Eu creio que existe um Deus. Eu gosto de usar calça,usar blusa sem manga e etc. Eu acho q matar alguém é muito pior do q eu usar uma calça jeans. Na minha opinião Deus quer saber mais do nosso coração do q da nossa vestimenta. "Ahh não pode fazer tatuagem,não pode usar roupa curta",discordo cara. Vc pode fazer oq quiser da sua vida,isso é algo particular de vc e Deus,não vou me meter,se vc fizer algo de errado,irá ter as consequências depois. Eu tenho uma raiva quando as pessoas querem fazer o papel de Deus,só Deus tem o direito de me julgar,de me dizer oq devo vestir ou não. Mas enfim,no caso dessa menina,eu compreendi ela,ela explicou q a família dela é testemunha de Jeová e se vestem como uma imagem típica de pessoas crentes. Ela disse q segue o budismo,por isso estranhou eu ser crente.
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2020.07.14 16:30 galoccego Relato de um ex-barman

ESSE RELATO NÃO É MEU, ENCONTREI NO FACE E COMO ACHEI MUITO INTERESSANTE DECIDI TRAZER PARA O REDDIT.
Relato da internet: Parte 1 Já trabalhei como barman e observando bastante a vida dos que estavam do outro lado do balcão, tudo o que já falaram é verdade.
Entradas para as mulheres são sempre cortesias. Os homens pagam caro. E não se enganem achando que as mulheres não pagam a entrada, quem paga são os homens. Se a entrada na noite custa R$ 30,00 pra um homem, a verdade é que é R$ 15,00 masc(a dele). e R$ 15,00 femin(de alguma menina que entrou "free"). Os donos de bares jamais levam prejuízos e nada é de graça. No bar que eu trabalhava, o dono fazia "descontos" para os amigos, e usava esse argumento.
Nos bares sempre tem as bebidas originais bem guardadas, que são destinadas aos Vips. Geralmente, os alfa$. Os ricos chegam, as bebidas de qualidade vão todos para eles, e pegam mulher com o rodo. Já os pobres coitados que não são ricos, consomem bebidas falsificadas e não pegam ninguém.
Nesses lugares, o que mais vi mandar em tudo é o dinheiro. Quanto mais rico o cara for, mais mulher ele consegue. E nunca vi um alfa físico sair ganhando de um rico. A ordem de prevalências pelo que já constatei é:
  1. Ricos.
  2. Caras que tem o shape massa.
O resto nem entra, porque gordos, magrelos, baixos, pobres, etc, só levam prejuízo na balada. Prejuízo financeiro e EMOCIONAL. Quando conseguem alguma coisa, é no final da noite com alguma feínha que foi rejeitada pelos alfas. Quando a balada está terminando, e aquelas meninas que foram rejeitadas pelos alfas estão voltando para casa chateadas com a vida, é onde os zé ninguéns conseguem alguém. A única chance para o cara mediano na balada conseguir alguma coisa, é no fim dela. Pois mesmo uma vilena numa balada se sente uma rainha, e despreza todo mundo, com um ego gigantesco. Elas fazem isso porque se acham dignas apenas dos alfas. Mas quando os alfas as dispensam e a rejeitam porque acharam outra mulher mais atraente, é um tiro bem no meio do ego dela, pois ela passou a festa inteira dispensando os medianos porque se achava digna apenas do alfa, e agora no final ela vai embora sozinha sem ninguém? Aqui é onde o emocional está fragilizado e onde o homem mediano terá mais chances de conseguir alguma coisa com uma menina mediana ou feia. As bonitas, esqueçam. Não tem nem como se você não for alfa.
Se a intenção é pegar mulher, se for ao puteiro gastará bem menos financeiramente, não terá desgaste emocional, e o risco de pegar DST é o mesmo da mulher baladeira. Se brincar, é até menor. Se não for rico, beberá bebidas falsas, terá prejuízo, e saíra com o emocional destruído de lá, achando que o problema do mundo não te aceitar e te enxergar é seu.
Já vi muitos clientes homens medianos, indo pagar sua conta cabisbaixo, sem graças, com dois ou três amigos tudo desanimado porque vão embora sozinhos dentro um carro. E outros fingindo que só foram na balada pra curtir, que embora não tenham pegado ninguém, se divertiram e etc. O que é mito.
E tem um monte de mulher que paga de santinha falando que vai só pra curtir e ver o Dj, ou porque gosta de tal banda e etc, mas vai só pra dar toco. Não gostam de transar, não gostam de beber, não gostam de nada, só de se sentirem poderosas. Até os alfas penam nas mãos dessas mulheres em baladas.
Em baladas, o único que ganha realmente é o dono da boate. Pois ele ganhou um lucro exorbitante nas bebidas que vendeu(porque TODAS as bebidas são compradas a preço de banana, se você paga R$ 250,00 numa garrafa de whisky, pode ter certeza que ela foi comprada por R$60,00 no máximo, e se for falso, R$ 20,00 ou 30,00). Para constatar isso do preço, é bem simples, vá um supermercado e olhe o preço da garrafa. Depois divida ele por 2. E compare com o preço que você pagou na boate. No bar que trabalhei, compravam latinhas de Antartica por R$ 1,45 no próprio supermercado, e revendiam a R$ 5,50. Quando compravamos direto da Ambev, havia longneck que pagamos 0,90c a unidade, e revendiamos a R$ 6,00 ou R$ 7,00. O dono sempre tem mulher no pé dele, e mulher top. Ele nunca fica "desamparado sexualmente". O status do cara de ser dono de uma boate, desbanca todos os alfas.
Na minha opinião boate é um prejuízo de todas as formas possíveis, exceto para o dono. Mesmo para os alfas e ricos, é um prejuízo tanto financeiro como emocional. Pois você continua pagando pra comer a menina e se desgatando emocional fingindo interesse, competindo com outros machos e etc., mas eles não ligam, né?
Parte 2 Baladas é tanto o puteiro para mulheres, como disseram, como também é armadilha para bobos. É bom mostrar os outros aspectos que prejudica o homem, não sendo só as mulheres, para que possam ficar alertas. Todos os panfletos, as propagandas, as pulseiras de camarote, os copos e bonés e outros brindes... Tudo isso é friamente pensado pelos organizadores da festa para vender uma ilusão enorme, de tal forma que faça o nerd jogador de minecraft sentir vontade de sair de casa e ir lá e gastar seu dinheiro achando que vai se dar bem, de fazer a mais alta piranha sonhar que vai encontrar o Eike Batista dela lá dentro. Observem bem na cidade de vocês como são as propagandas, se você esquecer seu bom senso um pouquinho, você vai cair no conto de que balada é o melhor lugar para ir e ser feliz.
Por trás dos autofalantes, dos graves, do neon, daquelas pessoas fingindo ser felizes, está um máquina pronta pra sugar seu dinheiro. A intenção é sempre pegar o dinheiro do homem. É por isso que eles também lotam de mulheres, quanto mais cheio de mulher um lugar estiver, mais homem disposto a perder tudo o que tem. Mulheres são as iscas, a massa de manobra, para juntar homens fracos emocionalmente e sugarem seu dinheiro. Em uma análise bronca, pode-se dizer que boate é uma das coisas mais anti-homem já criadas. Porque ela nunca prejudica as mulheres de fato, somente homens. Pois mesmo as mulheres sendo apenas iscas, elas ganham emocionalmente e ganham a chance de encontrar um bobo para ser provedor (e acreditem, tem muito playboy que assume uma bomba dessa).
E depois que o camarada entra lá dentro, ele vai ser vampirizado financeiramente o quando puder. A vampirização emocional é só a consequência de ser bobo. Eu mesmo comprava maços de Carlton por R$ 6,50, e vendia cada cigarro picado por R$ 2,00. Eu ganhava em torno de R$ 30,00 por maço, pois na boate não era permitido vender e fumar, mas o cigarro é um símbolo de status que todo mundo lá dentro quer, até quem não fuma quer fumar pra poder ser notado, e quem se aproveitar disso... Será que é errado? Não sei. Eu fazia. Sei que quando meus maços acabavam, os caras ficavam tão fissurados que saíam da boate, iam até os postos de combustíveis, compram cigarro e voltavam. Só pra poder senta na mesa fumando. E a mesma lógica vale também as drogas ilicitas (que eu não vendia, mas quem vendia ganhava uma puta grana).
O ambiente geralmente é tão baixo, que as pessoas que estão no camarote, com pulserinha e copo estilizados por exemplo, esnobam as pessoas que estão na pista. Mulher então? Elas faziam questão de mostrar que são apenas para os vips lá de cima. As mulheres quando sobem para os andares superiores, elas se sentem como verdadeiras deusas. E falo isso porque, eu trabalhei no bar de camarote, e minha função era apenas preparar coqueteis e servir bebidas, nada mais e também não abria nenhuma exceção pra favorzinho. E ouvia muitos sapos de mulheres dizendo que estudam medicina ou direito, que estavam acompanhadas de fulano de tal, que eu tinha que fazer o que eles mandavam... E eu nunca fazia. Só me restringia ao bar. Já tive que chamar segurança pra me defender porque os ricões, além de bobos, ainda queriam pagar de machões e iam lá tirar satisfação do porque não levei algo para a mesa deles etc, sendo que tinha garçom pra isso. Alias, os garçons... Pobres coitados! Eram o que mais sofriam. Raramente eu trabalhei com o mesmo garçom por mais de dois meses, eles não aguentam. Eles chegam na mesa e são ridicularizados, pelos homens que querem bancar os machoes e pelas mulheres que sentem poderosas. É realmente um trabalho de cão. A maioria dos garçons(e barmans) eram estudantes, caras feios, magros, precisavam de um dinheiro extra, e faziam esses bicos. E quando topavam de servir uma mesa cheio de caras ricos, mulheres bonitas e etc... Puts. Dava dó. Eram motivo de piadas. Você via nitidamente o emocional dos caras destruídos. Tinha que ter um emocional muito forte pra aguentar aquilo sem esmorecer. As mulheres sentiam um prazer enorme em ver outros caras pisando no pobre coitado que estava servindo elas, elas se sentiam, de verdade, deusas. Eu aposto que elas gozavam quando debochavam dos outros.
E, também, boate é um ambiente muito inseguro. Além das brigas constantes que sempre acontecem, quase dono nenhum gasta dinheiro investindo na segurança da infraestrutura, porque eles pensam que nunca vai acontecer nada na boate deles.
Parte3
Sobre DSTs, era prache eu ouvir comentários de fulanas e ciclanas que tinham herpes na xota. Com tempo você vai pegando amizade com alguns caras, seguranças, e as fofocas correm. Mulheres bonitas, que só frequentam camarote e só andam com os ricões e esnobavam todo mundo, tinham histórias muito cabulosas. Tinha menina que eles falavam pra não deixar ela nem fazer boquete porque senão o pau pegava carie. Meninas que todo matrixiano JAMAIS pensaria que fosse tão nojenta. E são essas meninas que vão se casar aos 30 anos com um bobo matrixiano que jamais vai saber do passado negro dela. Já vi alguns casais por aqui, um cara gente fina, que mal saia de casa, junto com uma menina que era verdadeiro carrapato de boate. E quando elas reconhecem a gente na rua, abaixam os olhos, ficam com medo da gente ser amigo do namorado dela e contar as coisas que viamos.
Mals o textão. Mas pra quem teve saco e quis ler, fica o relato. Se eu contar todas as histórias escabrosas que já vi e ouvi, do que a gente faz nas boates com as bebidas, enfim, é de doer os olhos. Mas tem gente que apanha e apanha e continua indo. Tenho amigos que diz que exagero muito, que eu sou revoltado e etc. Mas, as pessoas são como animais criados pro abate, são influenciados pela propaganda, sempre vão, se dão mal, passam mal, mas acordam no outro dia crente que o próximo final de semana será diferente. Enquanto isso vão só perdendo dinheiro e tempo.
Eu não recomendo o cara nem ir a um pub bem light. Embora não sejam um ambiente tão fútil e banal como é a boate, acontecem as mesmas coisas, mas apenas em menor escala e mais discretamente. Se a intenção é beber com os amigos, descontrair e relaxar, é melhor queimar uma carne em casa e comprar bebidas por conta, por exemplo. Pelo menos é minha opinião. Para conhecer mulheres: não faça isso, meu amigo. É tiro no pé.
Talvez alguém pense que essas coisas são exageros, mas é a minha conclusão da minha experiência pessoal enquanto fiz bicos de barman. E quando falo barman, esqueçam aquele esteriotipo de cara fortão, bonito que usa uma gravata borboleta no pescoço, na maioria dos casos é só gente normal fazendo bico. Esses "showmans" são outra parte da história que tem bastante privilégios por serem alfas. Eu não fazia parte dessa categoria. Pra eles as boates devem ser boas. Não era para mim porque eu sou um cara normal, e talvez por isso até pareça um butthurt. Mas é só um relato que espero que sirva de alerta. Hehe
Parte 4 Obrigado pelas boas vindas, pessoal!
Então... Sobre as histórias cabulosas, vou começar contando as profissionais. Claro que existe boates exceções assim como mulheres (será? ), mas... Enfim. Eu também não trabalhei em clubes de tão alto padrão assim, quando eu falo que era clubes pra quem tinha dinheiro, é porque as coisas eram muito caras. Mas, não é nada comparado a uma boate grande e famosa. hehe
Começando pelas bebidas, coisas que barmans geralmente são obrigados a fazer:
- A maioria das pessoas não bebem as cervejas completamente, pois elas esquentam rápido na mão, e sempre volta pro bar ou fica espalhado pelo lugar longnecks pela metade. No final da festa, alguns barmans despejam toda essa sobra de cerveja num balde, enfileira as longnecks e coloca funis nos gargalos, e sai enchendo elas tudo novamente. Depois colocam a tampinha e botam pra gelar. As cervejas, lógicamente, vão ficar chocas. Por isso só devem começar a servidas após 2h da manhã, por exemplo. Onde a maioria já se encontra bêbada e qualquer coisa que consumir está gostoso. Como os barmans, por cortesia, sempre abrem as longnecks para os clientes, eles nunca desconfiam das tampas frouxas. Não fiz muito isso, mas já trabalhei em um local e uma festa ao ar livre que fez. Não era prática diária comigo.
- Os sucos naturais, não são naturais. Muita gente pagava o preço por um coquetel feito com o suco da laranja exprimida na hora, mas tudo era somente suco de saquinho(tang ou o mais barato que tiver) batido no liquidificador. Ele fica consistente e espumoso como um suco da fruta. Restaurantes também fazem essa jogada. Um copo de suco "natural" de 200ml era R$ 4,50, por exemplo. O saquinho tang que fazia 1l no liquidificador era 1 e pouco.
- As tequilas sempre saíam em dose, e as garrafas sempre ficam com o barman. Reaproveitamos sempre a mesma garrafa, enchíamos ela um pouco menos da metade de whisky vagabundo ou falsificado, e completávamos com pinga vagabunda. Sacudiamos e vu a la! Tinhamos uma tequila ouro José Cuervo. Como a maioria das pessoas não conhece gosto de nada, pagam R$ 15,00 numa dose de 50ml que custou apenas, no máximo, R$ 5,00 pra fazer. E pior: muitos ainda elogiavam. xD
- Tinhamos um tónel, que se dizia vender cachaça artesanal. Cada dose de 50ml era R$ 6,00. Mas sabe o que tinha lá dentro? Pinga barata de R$ 3,00 o litro. Aquelas 51, 21, 31...
- Os whiskys que servíamos no bar, sempre eram tretas. Muitas vezes a gente fazia aquele lance de encher a garrafa de coca-cola com whisky barato e acoplar ela na boca de uma garrafa de Red Label e mandar o o whisky vagabundo pra lá. Essas geralmente são as que ficam penduradas no dosador de garrafa invertido. Numa festa com umas 3 ou 4 caixas de whisky, tinha no máximo 3 ou 4 garrafas realmente originais, guardadas para os magnatas.
- Quase sempre a gente recebia ordens pra marcar coisa a mais na comada do cliente, se ele parecesse que estivesse muito bêbado. Quando eles iam pagar, sempre ficavam muito putos com as meninas que trabalhavam no caixa, mas, então o gerente jogava aquela onda de que ele emprestou a comanda pra alguma mulher, que ele não lembra, se a coisa aperta muito já vinhas os seguranças intimidar, no final o cara sempre pagava. Não tinha jeito.
- As porções nunca jogavam fora. Já vi cozinheira tirando cinzas de cigarro de um resto de porção de batata e guardando as batatas pra usar com outra pessoa que comprava porção.
Tomem bastante cuidado, porque vocês nunca vão saber o que realmente estão consumindo. Isso não vale só pra boate, vale pra restaurante, lanchonete, casa da vó etc.
Também existia alguns esquemas de lavagem de dinheiro, eu não sabia muito sobre isso, só ouvia a respeito. Mas alguns eventos em fazendas particulares, reunia bastante magnata e alguns amigos afirmavam que rolava um esquema de lavar dinheiro tenebroso. E que muitas boates são usadas pra isso. Sobre isso não posso afirmar com certeza, isso foi só um boato que eu ouvia e acreditava, por tudo o que eu já presenciei lá.
Para atrair homens para festa, o promoter dava brindes, cortesias e até dinheiro pra algum grupo de meninas fazer volume na porta da boate. Já dava as instruções para elas irem super maquiadas, roupas curtas e ficarem bem visíveis. A panfletagem nas ruas e nas faculdades, era sempre feito por meninas bonitas e com roupas curtas. O próprio promoter que cuidava da casa, fazia uma propaganda ferrenha no Facebook. Pra cada 5 mulheres que ele marcava no post, ele marcava 1 homem, por exemplo. E pedia pras meninas confirmarem presença no evento divulgado no Facebook. Tudo isso pra dar a impressão que naquela festa tem mais mulher do que homem.
Parte 5 Então, o homem escravogina, solitário e carente, via aquele harém pela baguetala de R$ 30,00 o ingresso... Era casa cheia na certa. Uma vez lá dentro, o cara até parcela a consumação no cartão de crédito. A maior dificuldade é sempre fazer o homem entrar na boate, porque depois que está lá dentro, já era.
Um pouco do lado obscuro:
As mulheres nunca me cantaram no balcão com um real interesse em mim. Geralmente, aparecia uma mediana que estava de favor na festa, jogar um charme pra tentar descolar um drink de graça. Como eu não dava, saíam nervosas e davam chiliques. Mas alguns colegas davam, e só ganhavam um sorrisinho de volta e a menina nem voltava mais no bar, senão pra tentar pegar outro drink na faixa. Mas para meus colegas, aquele sorrisinho era sinônimo de um casamento. kkkkk
Elas sempre pediam para o acompanhante delas levantar e buscar bebida no bar, jamais ela ia sozinha ou ia junto com ele. E nesses momentos, esses prazos de 5 e 10 min, é onde ela flertava com muitos outros homens. O cara saia da mesa para buscar mais bebida para ela, e ela levava aquelas bulinadas do cafa de leve, pra elas era como se estivessem numa sauna greco-romana.
Banheiro de deficiente físico sempre foi usado como quarto de sexo. Isso era unânime em todas casas que trabalhei e eventos que fiz, era só jogar um "café" na mão do segurança, que o próprio segurança vigiava a porta pra não deixar ninguém interromper a trepada. Aqui era onde muito cara com físico bom e pouca grana, algumas vezes ganhava a noite. Ele não precisava de carro, nem de levar no motel, nem nada, torava a menina na lá no banheiro e só dava uma gorjeta pro segurança. Havia vezes que garotas de programas trabalhavam discretamente nos eventos, em parceria com os seguranças. Elas davam uma grana pra eles, e ela fazia o trabalho. A mesma menina, que nem parecia puta, ás vezes transava com 3 ou 4 cara na mesma noite, sem ninguém nem desconfiar que rolava uma fita dessa lá dentro. Mas como nada fica discreto pra sempre, começou querer haver CONCORRÊNCIA, outras meninas também queriam, e aí começou virar bagunça até que o dono deu um jeito de cortar ameaçando os seguranças de demissão.
Muita gente FINGIA ficar bêbada pra ter desculpas para fazer merda. Isso eu via muito, e a maioria sempre era mulheres. Elas subiam na mesa, faziam danças sensuais, ligavam para ex, pegava no pinto do caras, traiam os namorados, enfim, fingindo completamente que estavam bêbadas. Eu sabia que era fingimento, porque eu tinha um certo controle de quem bebia no bar, dava pra saber o quanto a pessoa consumiu e tinha menina que tomava duas cervejas e começava a fazer merdas, só pra ter um monte de cara endeusando elas e poder fazer uma putaria "sem culpa". E quem fica bêbado com duas cervejas? Mas tinha muito idiota que caía.
Certa vez, trabalhei em um evento que veio uma Dj que era da Espanha, senão me engano. Não lembro o nome, mas era uma menina baixinha com trejeitos de sapatão, cabelos raspados do lado e tranças onde tinha cabelo. Quem é mais ligado em música eletrônica deve saber o nome, eu não lembro. (Ela é aquele tipo de dj desconhecido no país onde mora, mas quando vem pro Brasil, faz sucesso, porque brasileiro é lambe-saco de gringo.) Eu sei que foi um evento que todo mundo quis ir, mas o lugar estava lotado, ingressos caros e etc. Havia uma menina que estava lá dentro, mas queria passar mais cinco amigas pra dentro da festa na faixa. O segurança não deixava. Até que uma delas ofereceu um boquete pra ele. Não foi nem o cara que pediu. A própria menina ofereceu. Obviamente, ele não recusou. Deram um jeito de ir pro estacionamento da fazenda e mandou ver. Entrou as cincos. Depois vi essa mesma menina beijando um playboy na mesma festa, o que me embrulhou o estômago. E com o tempo, ela foi ganhando fama de boqueteira entre os seguranças, então toda festa grande, os caras quase saiam no tapa pra decidir quem ia ficar na portaria, porque já sabiam que ela ia aparecer por ali. Afinal, ela não tinha grana e não tinha jeito de entrar, mas queria estar no meio dos playboys. E ela virou figurinha marcada mas depois sumiu. Um belo dia, num pubzinho, eu tava na porta conversando com os seguranças, ela me desce do carro de mãos dadas com um playboy. O segurança cumprimentou ela, e ela fingiu que não conhecia(sendo que ela tinha um passado negro com ele). Cumprimentou apenas o dono do pub e falou que agora estava noiva do fulano de tal. O cara tinha grana, a julgar pelo carro que ele tinha na época. E depois nunca mais víamos ela nas festa, e quando ia, ia acompanhada dele.
Que fique claro que não estou querendo criar ódio por boates, é só um relato do que vivenciei. O cara que quiser ir, não se prenda no que eu falo não, só fique atento. Hehe
Parte 6 Fico feliz em saber que tem alguma utilidade minhas observações. É impressionante o que você enxerga por trás das coisas somente observando. Nem precisa ser clarividente. hehe
Com o decorrer do tempo vou dando um up aqui com as histórias banais.
Mas acho que o mais importante que eu queria ter compartilhado com vocês a respeito das boates, era a questão de como fraudávamos bebidas. Porque isso é algo que prejudica a saúde dos consumidores a longo prazo, e além de pagar caro por algo que você nem sabe o que é. É algo que me arrependo de ter feito, embora fosse meu trabalho, então eu sempre tento alertar as pessoas que vão em boates para ficar espertas nesse sentido.
As histórias das perícias femininas são coisas bem baixas, praticamente histórias de filmes pornôs. Mas nada diferente do que acontece fora da boate, também.
Eu achava mais interessante o comportamento masculino do que o feminino, e aprendi muito observando caras que estavam caídos, usando a tal lógica reversa. Por exemplo, nas festas acontecem muitas frustrações, e na minha condição de barman, muitas vezes acabávamos fazendo um papel de ouvinte e psicólogo. Muitos homens bebem para amenizar as dores, e quando encontram alguém para ouvir os problemas deles, os caras desabam. Geralmente, esse alguém é o barman, o garçom... Ninguém do outro lado do balcão, nem os próprios amigos do cara, o acolhem nesse momento. E aqui vivenciei muitas situações constrangedoras, de caras enormes de tamanho, chorando feitos beberrões na minha frente. Era engraçado, porque eu sou um cara pequeno e mais duro emocionalmente do que eles(que em teoria, pareciam ser os caras mais frios do mundo) . hehe
Eu não podia fazer muita coisa a não ser ouvir e guardar aquelas histórias como experiências. Eu praticamente nunca consegui ajudar nenhum cliente. Todos eles queriam ouvir que a esposa era exceção, que mesmo traídos deveriam dar segunda chance, que ele era o errado da história, etc. Nenhum aceitava qualquer ponto de vista diferente em que a sua companheira fosse uma pessoa ruim. E ás vezes, discutiam comigo defendendo a esposa após eu aplicar pequenas injeções de real. Mas com tempo percebi que era inútil tentar salvar alguém, porque existe homens que se acomodaram a viver numa lama emocional que tem até medo de sair dali. Eu no máximo consegui algumas amizades, que me ajudaram depois a arranjar outro emprego melhor, mas, os caras infelizmente vivem a mesma vida que levavam, com migalhas emocionais, dores profundas e um depressão que eles tentam abafar com bebida, gerando lucro pra alguém que se aproveita da fraqueza emocional desses mesmo caras.
Acho que se o cara assimilou bem a real, é esperto, tem uma grana pra gastar que não vai fazer falta, tem problema nenhuma ir em boate. O único problema que vi mesmo é o cara pobre que se endivida achando que vai ter sexo fácil ou o ingenuo que vai achando que vai encontrara mulher da vida dele lá.
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2020.05.02 13:38 amornostemposdequa Peles e Espelhos

Tocava Stevie Wonder nas caixinhas de som ligadas no meu notebook enquanto meus dedos frenéticos teclavam mais um conto como esse. Os dedos acostumados com o teclado barato que se tornou uma ferramenta, uma extensão de meus sentimentos mais profundos e secretos. Diferente de meu coração verde que inventava histórias sem nunca as ter vivido de fato.
Mergulhado naquela tarde vazia eu ouvi alguém chamar no portão. De quem era aquela voz? Era feminina, mas de ninguém que eu conhecia. Parecia uma voz de anjo. Engraçado, parece que chamou dentro da minha mente interrompendo meu raciocínio. Quem ainda está visitando alguém no meio dessa pandemia? Não liguei nem parei de escrever por um segundo. Estava tão concentrado naquele parágrafo que parecia que estava apaixonado pelas mesmas palavras que eu usava todo santo dia. Como se fosse um tecido que eu desfiava durante o sono e costurava novamente durante a vigília.
A porta do meu quarto estava meia aberta e a música nas caixinhas de som ainda tocava algum soul dos anos 70’s quando de repente minha mãe me chamou da sala.
— Calmae, mãe.. — eu disse sem tirar os olhos da tela do notebook e sem vontade nenhuma de sair da minha cadeira. E antes que eu pudesse terminar a última frase do parágrafo ela entrou no meu quarto bagunçado acompanhada de minha mãe.
— Ouh menino, levanta pra cumprimentar sua prima. Ela vai ficar um tempo aqui com a gente antes de voltar para o Rio.
Quando eu virei a cadeira giratória me deparei com uma das coisas mais lindas já vistas pela retina dos meus olhos secos de tanto ficar em frente a tela de um computador. Seus pés com as unhas brancas à francesa davam contraste com sua pele jambo e suas solinhas estavam vermelhas de tantas horas de tênis dentro do ônibus. Usava um short jeans e uma desprevenida blusa amarela de alça deixando a pele negra exposta a luz do sol que a beijava suavemente naquela tarde amena do interior de São Paulo. Usava uma trança no cabelo e seu olhar parecia tão forte e profundo. Parecia que me olhava dentro da alma. Eu não acredito em alma gêmea mas tem olhos que parecem um espelho refletindo coisas que nem nós mesmo sabíamos que existia dentro da gente.
Eu levantei para cumprimentá-la. Dei um beijinho no seu rosto e ela como boa carioca me segurou um segundinho a mais para me dar um segundo beijo no outro lado da minha bochecha. Vendo que eu estava tímido ela me puxou e me deu um abraço.
— Oi primo, você lembra de mim? — Ela disse enquanto sorria não só com a boca mas também com os olhos com a testa com o corpo inteiro. Ela tinha um sol sobre sua cabeça. É claro que eu não me apaixonei assim rápido. Na verdade, só depois de algum tempo que eu notei aquela beleza em todo seu esplendor. Até então em minha curta vida amorosa meu coração tinha apenas se iludido sem saber bem o porquê, com os arquétipos inalcançáveis que a televisão colocou profundamente em meu inconsciente medroso e frágil.
Mas eu não lembrava dela. Não daquele mulherão que eu tinha na minha frente. Talvez algum resquício no fundo da memória de uma vez em que fomos no Rio e ficamos na casa da minha tia. Na verdade, eu lembro dela sim. Mas como ela era mais velha a gente não teve muito contato. Eu era apenas um menino e ela uma pré-adolescente sem paciência para criancices. Cerca de quinze anos se passaram e eu nunca mais tive contato com ninguém de lá. Até esse momento.
Depois que ela tomou banho e se instalou no quarto que era do meu irmão fomos jantar na mesa da cozinha.
— Primo, eu fiquei tão feliz quando soube que você fazia letras também.
— Ah, sim. Eu achei legal você fazer também. — Eu disse enquanto pensava que esse era um daqueles raros momentos em que a gente deixa de se sentir de todo só no mundo. Sorri calado enquanto dava uma garfada na costela com mandioca que minha mãe tinha feito.
— Você está em qual ano? — Ela perguntou.
— Terceiro. Mas acho que eles vão cancelar o semestre. Nosso campus resolveu peitar o governo e não colocar o ensino a distancia.
— Nossa, que corajoso. Se esse governo não cair eles vão ter arrumado uma puta briga com esse ministro louco. Quando passar essa pandemia eu quero conhecer seu campus.
— Vamos sim.
— Mas Jade, como que está a Tereza? — Minha mãe perguntou enquanto enchia o copo de suco.
— Ah tia, minha mãe está bem. A última vez em que a vi foi em fevereiro antes de vir aqui para o interior e começar minha pós-graduação. Mas agora sem ônibus eu nem sei quando vou conseguir voltar para o Rio.
— Eles estão dizendo que em agosto mas eu duvido muito. Você viu menina, o povo tudo na rua levando essa doença na brincadeira.
— Eu vi, tia. Pelo que minha mãe fala, lá no Rio também nego não está nem aí e os hospitais já estão abarrotados de gente.
— Só Jesus, né minha filha. — Logo após minha mãe terminar a frase eu perguntei a Jade:
— Você pesquisa que área na sua pós?
— To fazendo pós-graduação em semiótica. Você já teve essa matéria?
— Sim, sim. Tivemos um professor incrível. Era foda as análises que ele fazia.
— Ah primo depois a gente pode trocar algumas figurinhas semióticas haha — Ela disse isso com alguma maldade nos olhos que me pegou desprevenido.
Seu sorriso era um mundo aberto. Sua energia era um universo a parte que nos convidava a interagir. Era difícil ficar imune aquela pessoa. Para mim as vezes era difícil até respirar perto daquela mulher. Timidez e inexperiência junto com as desconstruções da internet me faziam ficar calado toda a vez que ela fazia uma gracinha um pouco mais provocativa. Eu nunca soubera se ela estava me dando mole ou apenas sendo legal. Na dúvida eu ficava sem jeito e calado. Ela percebia. E ria. Sabia que mexia comigo a danada. Depois eu escrevia no word toda minha afobação por estar perto dela. Mesmo com esse nó que eu tinha dentro de mim não demoramos a flertar pesadamente dentro de casa.
Certo dia de isolamento, em que ninguém sabia mais qual dia da semana era, ela entrou no meu quarto enquanto eu escrevia no notebook. Senti um cheiro de loção pós banho de maracujá invadir minhas narinas. Parecia um cheiro de mar. Tropical e fresco como agua de coco no calor de uma praia deserta.
Sua presença quente e seu perfume amarelo me excitaram de uma forma. Era como alguém tivesse apertado um botão dentro de mim. Claro, que já estávamos há não sei quanto tempo sem transar então não era de estranhar alguma tensão sexual no ambiente.
Apesar de já estar acostumado de ficar na sexa naqueles tempos eu estava tocando no mínimo duas por dia. Meus contos estavam mais eróticos que o normal. Tudo era tesão, raiva e medo. Notícias trágicas na minha linha do tempo vinham seguidas de nudes, soft porn e xingamentos às loucuras do presidente. Não exatamente nessa ordem. Eu as vezes sentia que ia explodir como uma bomba! De nêutrons, de hormônios, de amor.
Ela sentou na minha cama e ficou me olhando escrever enquanto tocava bacu exu do blues na minha caixinha de som. Seus pés macios como seda tocavam com as pontas dos dedos o tapete de crochê que minha mãe tinha feito. Ela estava mais calada que o normal e dessa vez foi eu que tomei a iniciativa para começar a conversa.
— Jade, o que você faria se estivesse afim de alguém mas não sabe se é reciproco ou não. É para um personagem que tô escrevendo aqui.
— humm.. depende da pessoa. Eu geralmente costumo ficar olhando calada, dando uma indiretas até a pessoa falar alguma coisa.
— E se a pessoa não percebe ou não toma a iniciativa?
— Aí ela perde TUUUDO ISSO haha — Ela disse isso e deu uma risada gostosa jogando seu corpão na cama.
Salvei o documento que eu estava escrevendo e deitei na cama ao seu lado. Ela encostou em mim deitando sua cabeça em meu bíceps. Quase pedia por um carinho como uma gata. Senti o cheiro de seu cabelo crespo e alto. Um vapor quente saía de seus poros e entrava direto na minha alma fazendo meu coração bater fortemente.
Nos olhamos de frente e novamente aquela sensação de alma gêmea surgiu como se estivéssemos espelhando nossas vidas conturbadas. Senti medo de me conhecer. Eu tenho medo de me conhecer mas ali com aqueles olhinhos castanhos me olhando e me devorando, eu sentia que a muralha do medo dentro de mim começava a ceder.
A janela do quarto estava aberta e deu pra ver uma estrela cadente cortando o céu como um meteoro da paixão. Sim é brega, mas fodasse. Deixei passar aquele desejo pois minha língua estava sendo sugada pela mulher mais linda que eu já tinha visto na vida. Ela sem roupa era uma deusa toda perfeita na sua imperfeição.
Era uma potência em cima de mim. Virada no diabo ela pediu para eu chupa-la. Ela enfiava minha cara entre suas pernas e puxava meu cabelo para lá e para cá guiando o seu próprio prazer. Quando ela gozou eu me senti um rei que acabara de tirar uma espada de uma pedra sem esforço algum. Em sua respiração ofegante entendi como naturalmente as coisas acontecem. Minha cabeça entrou no modo de escritor e eu quis correr para o bloco de notas para tomar nota daquela sensação mas logo aquela deusa de ébano me pegou pela nuca e enfiou a língua dela na minha boca até quase sair pela minha nuca. Depois me jogou na cama e montou em mim, cavalgando até eu não aguentar mais e enche-la com meu esperma quente. Ela tremia quando caiu ao meu lado da cama. Teias de aranha tiradas finalmente e de modo triunfal. A comida sempre fica mais gostosa quando se está com fome.
Apesar das recomendações, transávamos quase todos os dias. De todas as formas possíveis. As vezes só para matar o tédio de todos os domingos em que tinha se transformado os dias da semana. Achei engraçado que minha mãe não percebia. Ou percebia e ficava calada. Eu não sei se a questão de sermos primos a incomodava. Talvez ela percebesse que era nada sério. Eu não se para Jade, mas para mim foi muito sério. Pela primeira vez eu pude conhecer o corpo de uma mulher profundamente e pude mergulhar sem medo dentro das possibilidades do meu próprio prazer.
Espelhávamos um no outro não só os olhos mas também a cor de nossa pele, nossa história e passado. Também pela primeira vez não me senti subjugado nem em dúvida. Nem diferente, nem com medo, nem nada. Éramos apenas duas pessoas jovens e saudáveis fodendo num quarto. Eu finalmente era um homem. E só. Com meus defeitos e qualidades e com o direito de aprender com meus erros e acertos.
Cerca de dois meses se passaram e no primeiro relaxamento do lockdown Jade decidiu voltar para casa de sua mãe no Rio. Eu a levei até a rodovia do município. Foi e ainda é muito entranho ver todo mundo de máscara, o distanciamento das pessoas e o nosso também. Por mais que quiséssemos ficar abraçados naqueles últimos momentos juntos não queríamos ser os únicos a não respeitar a nova cultura que foi imposta pelo vírus.
O busão da Andorinhas com uma placa escrito Campo Grande x Rio de Janeiro finalmente chegou. Ela me deu um abraço apertado e seus olhos sorriram acima da máscara preta que ela usava. Senti vontade de lhe dar um beijo e ela pressentindo meu desejo tirou sua máscara pela alça na orelha. Depois cuidadosamente tirou a minha também. Passou os dedos com as unhas sem esmalte no meu rosto. Me beijou profunda e amorosamente por alguns segundos. Não sabíamos se nos veríamos de novo. O medo e o futuro incerto pairavam no ar. Eu queria mais que tudo vê-la novamente em breve. Não só por pela intensidade de tudo que vivemos, mas por uma necessidade de acreditar no futuro. Nada como o medo da morte para nos fazer dar valor as pequenas coisas da vida.
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2020.04.18 14:01 Feeling-Industry Ela me enganou?

Um pouco longo---

A namorada de um amigo de infancia me apresentou a prima dela em junho de 2019.
Se mostrou uma mulher maravilhosa, desprendida do mundo e quase independente de tudo e todos>>> me apaixonei no primeiro dia que saímos.
Até hoje sou 200% apaixonado por ela, romantico e faço tudo dentro do meu alcance.
Ela me pediu em namoro em outubro (o que me surpreendeu pq não achei que ela tava no mesmo ritmo que eu) e até então eu tava no país das maravilhas.
Ou seja, ficamos 2/3 meses antes de começar a namorar.

Acontece que um dia ela pegou meu celular e viu minha barra de notificações e perguntou se eu tinha mais de um instagram e eu disse que sim. Abri pra ela ver, pq era um fake meu que usava antigamente, ai ela foi fuçar e abriu as conversas.
Tinha conversa nesse meu fake com uma menina que conheço na vida real (a menina não sabia que era eu) no qual eu perguntava sobre como era o relacionamento dela que é polyamorous, pois não consigo entender como funciona um negócio desses, já que sempre namorei a 2.
Quando a minha mina viu isso, ela ficou puta. Achou que eu tava de caso ou querendo comer outra pessoa, que homem é tudo igual, dizia que achava um absurdo eu ser todo romantico de amores com ela e falar com outras meninas sobre sexo. Me expulsou da casa dela com todo ódio de hades.
Só que quando cheguei em casa, mandei um print pra ela dessa conversa, mostrando a data. Era de 2018. Beeeem antes dela surgir na minha vida. E ela ficou sem graça pra caralho... e depois ficou tudo bem.

Acontece que 2 semanas depois ela começou a reclamar de muita ardência pra fazer xixie a gente não conseguia transar por causa disso tb, ficava desconfortável pra ela, e ela foi até a ginecologista pedir exames e deu que ela estava com CLAMÍDIA.

Fui pesquisar sobre e o período de incubação da clamídia é de menos de um mês.
Eu sempre faço exame depois de ficar com uma garota e nunca tive NADA e fiquei preocupado de ter contraído de alguma forma e passado pra ela. Tanto que mandei mensagem pra menina que fiquei antes dela (começo de 2019) falando pra ela fazer exames (assim poderia saber se ela tb tinha).
Os meus exames deram negativo, mas tomei o remedio e o da menina também deram negativo...

Nisso fiquei extremamente pensativo: Será que a minha namorada ficou com outro cara nessa nossa fase de "ficada de 2/3 meses"? Eu perguntei pra ela se ela ficava com alguém enquanto saíamos e conversávamos e ela dizia que não, que não lembrava da ultima vez q saiu com um cara e até ficava brava por eu ter que perguntar isso... Mas cara... se a incubação da clamidia é tão curta e ela teve isso logo após começarmos a namorar ficou claro que ela ficou com alguém, certo?

O que me deixa mais chateado é ela ter ficado puta da vida com uma conversa que tive antes dela e ela achar que eu a traía enquanto ficávamos, mas omitiu/mentiu pra mim dizendo que não ficou com ng enquanto ficava comigo.

É isso... Fico em dúvidas se agora que namoramos a 6 meses vale a pena voltar nesse assunto.
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2020.04.10 00:44 CabacinhoBreaker Conto: Carta Para Zeca

Quanto tempo leva para uma reflexão tomar forma dentro do circuito do pensamento emotivo? Emoção é a reação do que afeta direta ou indiretamente o nosso campo de sensores que são vastos, digo isso para todos aqueles que creem no invisível e que salta aos olhos como uma silhueta na escuridão. Está tão perto e tão latente mas, qual a medida para entender tudo isso? A razão é a balança dos aflitos que velejam numa nau à pique.
Zeca observava o mundo de longe certo de que estava antes daquela vírgula da existência, essa que faz refletir, protegido no receptáculo de sua antena parabólica ficava estático ele mesmo, assistia a novela de Rebeca sua vizinha, nascida de dias e com uma mãe desastrada. Batia de lá e de cá seu corpo mas nunca deixando a recém nascida amassar nas portas, embora parecesse que o pai quisesse. Zeca já tinha testemunhado o pai, grande e corpulento, de olhos fundos e nariz perfurante, olhando para a mãe, passava para Rebeca, e parecendo um surto de arrependimento da existência da menina, fechava a porta na cara da mãe. Ela não prestava, e parecia um vegetal, ele era quem dava energia para uma casa toda com seus dedos que pegavam o que queria na sua geladeira fedida; seus pés descalços que descarregavam toda uma tensão da casa, o que Zeca achava engraçado, se pudesse passar a navalha nesse calcanhar invisível da mágoa ele desjuntaria o pé inteiro.
De conversa com ela uma vez Zeca insistiu no motivo de ela estar onde estava, a mãe olhava a menina com uns olhinhos de jabuticaba que dava brilho no canto, daí olhava para o chão e virava o olho para dentro buscando uma saída do que ele não podia evitar, daí lançava a mão parecendo que ia descolar do corpo, mole de lado, dizendo que quem sustentava a casa era ele e Rebeca era uma inspiração de vida! Desse jeito mesmo que saía, ela botava tanta convicção que as palavras vibravam quando saiam de sua boca, a última até parecia uma moeda que estava debaixo da língua e escapou sem querer. Olhei nos olhos dela, rasos.
Agora Zeca insiste em tomar uma dose de verdade todo dia, recolher todas essas moedas que caem dos olhos e das bocas de seus amigos, juntando tudo um dia talvez ele compre a tão sonhada liberdade que ele persegue de dentro de seu barquinho.
“Mandai a faísca de um raio pra me iluminar
Segura pedra na pedreira não deixa rolar
Xangô, Kaô meu pai
Seus filhos bambeiam mas não caem”
Zeca
Carta Para Zeca
Olá meu querido amigo, como você está? Espero que bem.
Eu estava mexendo nuns papéis antigos e reli uma crônica que você me fez 3 anos atrás, lembrei tanto de você esses tempos que resolvi escrever.
Hoje é dia 24 de dezembro e está um calor danado aqui em São Bernardo, me mudei para o Silvina depois de uns dois meses que a Rebeca nasceu e foi uma das melhores coisas que fiz; a casa é bem maior, porém fica bem perto do ponto de ônibus lá na ponta do morro.
Por falar em Rebeca ela não para mais. Anda de um lado pro outro Zeca como se fosse a rainha da casa, pega as panelas e bate tudo no chão. Devaldo nem liga mais depois de comprar a quinta, e eu não faço questão também, ela precisa de brinquedos e eu me viro como posso sabe?
Falando nele, sua crônica foi importantíssima para mim Zeca, você sempre me estimulou a escrever e só fiz isso agora, depois de anos, porque me sinto muito mais segura e motivada. Ainda lembro de cada palavra sua. É claro que é meio desconcertante também, você escreve tão bem e eu não sabia nem articular o que se passava dentro de mim, agora vou te falar, da melhor forma que eu encontrar.
Devaldo parecia que tinha desistido de tudo, aquele jeito turrão e mandão dele de ser passou depois do primeiro ano da nossa filha, eu agradeci muito à Deus, mas ainda faltava alguma coisa sabe? Ele parecia fantasma dentro de casa Zeca, a gente não tinha brigado nem nada e ele me procurava bem pouco para fazer amor, dizia que a rotina do serviço estava acabando com ele mas eu não precisava me preocupar com nada, que focasse na pequena pra ela não ficar que nem as “meninas do pé do morro”. Elas gostam muito de transar Zeca, e com qualquer um que passe no pé do morro, qualquer um; eu já vi elas no mato e não vou nem dizer como porque quero esquecer.
Depois de ver aquilo dei razão pro meu marido, e mesmo ele me tratando um pouco melhor ainda não era o meu ideal, ele foi meu primeiro homem e eu esperava tanto dele, mas seus problemas sempre futucavam nosso lazer; fim de semana tinha um extra no serviço que era imperdível, mais seis horas longe de sua família, o que virou rotina depois de um tempo fazendo isso; pegou confiança e virou o ponta firme na firma que não faltava em nada.
Quanta decpção. Quando Rebeca fez um ano que desastrou tudo, ainda bem que tenho meus amigos lá do morro pra me dar assistência e fumar um né? Quem tem filho fuma também, não me julgue.
Eu acostumei não ter mais a presença dele em casa aos poucos, Rebeca sempre foi bem quieta e não me tomava muito tempo para o cuidado, mas isso porque amo essa menina e nunca me deixou nervosa. O fato é que comecei a me sentir bem sozinha, e carente sabe? Sem nenhum contato. Eu procurava Devaldo e ele nem aí pra mim, até que um dia aconteceu um troço inesperado Zeca, eu tinha mensagens de um crush do ônibus que queria porque queria me conhecer.
Não me julgue por falar o que vou falar. O nome dele era Jonas e disse que queria me conhecer, eu falei que pessoalmente não, mas a conversa foi rolando, eu disse da minha filha e ele me mostrou a dele, uma mulher já de dezesseis anos toda formada, o cara era “velho” e eu tinha vinte. Claro, não mencionei Devaldo pra ele.
Ele me dava toda a assistência que eu estava querendo, perguntava como foi meu dia, me ouvia, e a gente conversava sobre tudo Zeca, só achei uma coisa estranha. A primeira vez que ele me ligou achei super esquisito, sabe aqueles homens que tem a voz bem fina? Era a dele, mas chegava a parecer uma garota em certos momentos. Achei estranho mas foi só impressão.
Jonas não me faltava em nada, ele me fazia sentir como se fosse uma menininha de novo, ás vezes eu até esquecia que tinha um marido em casa Zeca, cheguei até a olhar pro Devaldo pensando nele, nas fotos que me mandava… sinto vergonha disso mas é a verdade. Mas também nunca fui tão fundo assim com ele, por mais que fosse gostoso eu não conhecia ele de fato e não ficava mandando fotos nem nada, mas me deixava num fogo que eu virava um rio.
Depois de uns quatro meses na conversa eu criei coragem e fui atrás dele, chamei para marcar um encontro e liguei né, ele esperava tanto por esse momento que o telefone quase não deu o primeiro toque. “Eu preciso te contar uma coisa antes da gente se ver”. O que era agora já que ele queria tanto? Esperei os trinta segundos mais longos da minha vida até que ele despejou tudo sem ensaio. Eu sou mulher.
Foram só três palavras, mas me deram uma rasteira literal, eu que estava em pé caí sentada no chão da cozinha Zeca, eu não podia acreditar. Fiz muitas perguntas e ela me respondeu todas com muita calma, apesar da minha revolta. Me disse que realmente pegava ônibus comigo e me achou linda, e depois de uma visita no face chamou um amigo dela, o Jonas. Ele fornecia tudo em tempo real, mas nos telefonemas e áudios era ela mesma.
Falei várias vezes pra ela que não gosto da mesma coisa que tenho no meio das pernas, não vejo graça Zeca. Ela ficou super triste, ainda mais quando teve que me passar o telefone do Jonas de verdade, queria pelo menos conhecer o cara que me apaixonei. Já faz um tempo que isso aconteceu e mesmo assim ainda lembro vez ou outra, me enganaram de uma esdruxula e me lembro exatamente como me senti.
Me lembrei de você e tudo que me dizia, tentei descrever o que sentia. Você já passou por isso; você passa uma noite inteira na rua, sozinho e com frio, e encontra um cantinho pra encostar e cochila por lá mesmo até o Sol começar despontar e tocar sua pele, te aquecendo aos poucos até brilhar bem forte e você voltar pra casa. Eu voltei para casa Zeca.
Deixei tudo isso de lado e pesquisei sobre aquilo que você me falava sempre, que a vida é efêmera e é importante viver bem; hoje entendo o que você me dizia. Fui nessa semana também no lugar que recebem os espíritos que você ia, me pediram para ter juízo olha só! Eu não discordei, até gostei da sensação que me trouxe.
Eu comecei a prestar mais atenção em casa depois do que aconteceu, e tive mais coragem para me abrir e falar com Devaldo, ás vezes eu só precisava estimular ele um pouco, e com o tempo ele foi me olhando de outra forma, viu que podia cofiar em mim como parceira; o stress do trabalho até diminuiu e o tempo dele lá também, começamos uma fase tão bonita Zeca. O espaço que ele preenchia com seus dedos agora tinha um toque mais sutil, e mesmo que o hábito ruim de olhar o telefone do outro tinha ido embora fazia um tempo me bateu uma curiosidade. Descobri que ele me traiu duas vezes com a mesma pessoa, ele transou com outra.
Não falamos disso nunca, ele não sabe que sei e eu não guardo rancor, ele se arrependeu nas mensagens com a garota e depois que as coisas melhoraram entre a gente me sinto muito mais feliz. Não vou dizer que o amo, mas me sinto apaixonada por ele cada dia mais, estamos nos descobrindo juntos Zeca. Não vou tomar mais o seu tempo, só queria dizer que o canto que você morava está muito bem iluminado agora.
Ontem o Pepeu me chamou pra fumar lá no escadão e disse que tinha uma surpresa, e que surpresa Zeca! Enquanto a gente fumava olhando pro Montanhão ele começou a iluminar todinho, foi ascendendo de baixo para cima, nunca vi ele tão bonito. O morro agora tem luz na rua.
Não me aguentei, olhei pra cima e comecei chorar quando vi que a Lua se encaixava bem na ponta do morro, parecia até que tinha sentado no campinho de terra; a árvore de natal mais bonita que montaram pra gente meu bem. Pepeu chorou comigo, dava pra ver os bracinhos balançando lá da ponta do morro de alegria.
Você faz falta Zeca, tiraram sua vida tão curta cara, mas como você mesmo diz, a vida é efêmera. Vou guardar sempre no meu coração a lembrança de cada momento e prometo abrir a mente de alguém com o que você me ensinou, e me ensina ainda. Vou queimar essa carta no pé do morro, quem sabe um dia quando você passar por lá veja todas essas palavras na poeira.
Te amo meu amigo.
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2019.07.24 21:08 Gueixa Conselhos de uma ex-garota de programa sobre sexo e relacionamentos

Olá a todos meus queridos e queridas do Reddit! Eu sou a Gueixa e já fiz um desabafo aqui antes:
https://www.reddit.com/desabafos/comments/c24bdn/fui_garota_de_programa_e_não_me_arrependo/

Nesse meu segundo desabafo eu vim aqui comentar sobre um pouco do que tenho lido nessa maravilhosa comunidade.
AVISO!!! OLHA, vou avisar que é um TEXTÃO. Desculpe por escrever tanto, sei que muita gente não gosta, prometo q será a última vez que escreverei tanto assim. Mas eu quis abordar alguns tópicos q vi aqui sendo recorrentes e responder aqui dúvidas que recebi inbox e no chat.
Vejo muita gente com problemas de relacionamento, querendo aprender sobre sexo, perder a virgindade e outros temas, infelizmente não posso acompanhar todos. Sempre que posso leio e comento, mas a vida de mãe solteira não me permite sempre porque meu filho ta sempre aprontando e eu preciso ficar de olho, amo muito ele. S2
Mas deixando o meu lado mãe coruja de lado, eu vim aqui pra dar uma palavra amiga a vocês que estão com problemas de relacionamento e estão se encontrando no sexo.
Como ex garota de programa, o q eu aprendi dos homens que me procuravam: virgens, casados, solteiros, viúvos é que a conexão é o que faz as pessoas ficarem juntas. O q muitas vezes mantem a relação mais do q sexo são os laços construídos, as memórias, momentos.
Então pra quem está se relacionando ou quer se relacionar, tente sempre criar boas memórias, bons momentos juntos com a pessoa q vc gosta ou está interessada, fuja da rotina, inove no que puder. Seja sempre que possível transparente, converse, ouça, preste atenção, mostre que está junto com a pessoa.
Pode parecer bobo, mas faz toda a diferença. As vezes um beijo, um carinho valem mais que mil palavras. Mostre que vc gosta, mas não esqueça de vc também, NÃO VIVA PARA A PESSOA, MAS COM A PESSOA.
Meninos virgens: calma! Sexo não é tudo! Ser virgem não é o fim do mundo! Vc não precisa se preocupar em perder a virgindade cedo pq seus amigos perderam antes de vc. Relaxa. Não se apresse, pesquise sobre como dar prazer a uma menina, quando chegar ao momento, curta e não fique apressado em gozar ou meter. Escute a Tia Gueixa pq sabe das coisas, rs.
Se for perder a virgindade com uma garota que NÃO FAZ programa, seja sincero com ela, vá devagar, esqueça tudo q vc viu nos filmes pornos, aquilo lá não é realidade!
Vc não é o Kid Bengala e nem precisa ser. Um pau daquele tamanho machuca e assusta as mulheres normais. Quanto ao tamanho do pinto, não se sinta mal, saiba usar tudo q Deus te deu como a boca, dedos, tenha pegada q conta muito. E esteja cheiroso. Cheiros é muito importante pra nós, mulheres, ao menos pra mim é , rs.
Quando for transar, aproveite o corpo dela. Mostre q está gostando. Elogie o corpo dela, seja gentil e carinhoso. JAMAIS FORCE. Vai por mim, mulheres gostam de serem bem tratada, afinal quem não gosta?
Pense que é um parque de diversões e explore. Beije a boca com vontade, o pescoço, atrás da orelha, beije os mamilos dela, a barriga, a vagina, o bumbum, explore o corpo dela. Não pense só em meter.
Capriche nas preliminares!Se puder, aprenda a fazer massagem q é um diferencial! (eu por exemplo, adoro!)
Se for perder a virgindade com uma garota de programa pesquise preços, lugares acessíveis a vc, q tipo de serviço ela oferece, formas de contato, de pagamento e etc.
Uma boa ferramenta pra isso são os fóruns de garotas de programa. Existem alguns conhecido como o Gp Guia, Fórum X, Gp Arena, Fórum Cutuca, Fórum SD, Fórum Gp Luxúria.
Tem garota de programa q anuncia no Twitter, Facebook, procure lá pra se informar sobre elas. Procure sites de anuncio como Rio Encontro, Amantes e Cia, Photoacompanhantes, Viva Local.
Entre em contato, seja gentil e tire as dúvidas com ela. Não tenha medo de parecer inexperiente. Ninguém nasce sabendo!
Meninas: masturbem-se, conheçam seu corpo, não tenham vergonha, se deem prazer pq devemos nos amar em primeiro lugar.
E claro, quando transarem deem prazer aos meninos pq sexo é feito por 2 (ou mais) pessoas então TODO MUNDO TEM QUE GOZAR.
Reciprocidade é importante. Quando fizer oral dê aquela chupada olhando eles, capricha chupando toda a area do pau, lambendo a cabeça, o saco...Ele adoram! E se o cara curtir faz beijo grego, fio terra. Nada que der prazer COM consentimento é errado. Mas só se eles derem brecha, NÃO FORCE, se não derem continue com o que ele gosta. A reboladinha na sentada é certeira, dar uns sussurros, gemidos, até arrepia, ai ai...
O q aprendi nesse meio é que os homens gostam de serem ouvidos, gostam de atenção. Deem carinho a eles, escutem pq tem muito menino frustrado e desacreditado no amor e nos relacionamentos. Mas nunca se esqueçam q vc só deve fazer algo se vc se sentir bem.
Não curte anal, então não faz. Vc não existe só pra satisfazer outra pessoa. Ele terá que entender, afinal o cu é seu, rsrssrsrsrs
Não faz nada que vc NÃO curte, deixe isso claro. Agora se quiser experimentar algo novo, converse, pesquise e vai a luta!Sempre converse sobre fantasias, sempre deixe bem claro seus gostos.É melhor sempre ser transparente pra não haver mal entendido depois. Acima de tudo, divirta-se! Relaxa e goza!
Desculpem o textão, me desculpem quem não curte textos longos, se esqueci de algo depois falo.Agradeço a todos vcs pelo carinho, pela atenção, por me lerem, por serem tão gentis
.A partir de agosto vou ficar ausente aqui, então quis deixar algo pra vcs se lembrarem e se sentirem um pouco melhor. Beijos pra todos vcs!!!!
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2019.01.15 07:09 SubstanciasToxicas O que fazer com um relacionamento mal acabado?

Bom dia gente e desculpa o tamanho do desabafo que está por vir, faz parte de um sentimento de muitos anos. Mas vou tentar falar de forma menos detalhada possível, senão fica impossível de ler.
Há alguns atrás eu conheci uma estrangeira que veio ao Brasil em um intercâmbio de curta duração. Nós começamos a ficar e passávamos praticamente o dia inteiro juntos, pois eu estava entrando de férias na faculdade e ia ficar alguns dias a mais pra terminar algumas coisas do projeto que eu fazia, então tinha bastante tempo livre, além disso a atividade do intercâmbio dela ainda não tinha começado também. Apesar da barreira linguística (nenhum de nós dois éramos fluentes em inglês), conversávamos bastante e nos dávamos bem, por conta disso fomos criando um laço emocional mais forte. Depois de algumas semanas, precisei ir pra casa e ela continuou nessa cidade. Continuávamos conversando à distância diariamente e, chegando o Natal, ela estava bastante frustrada pois não ia ter ninguém pra passar o feriado, então, convidei-a para vir à minha cidade e passar o Natal por aqui, podendo fazer umas viagens na região também. Passamos o Natal juntos, ela conheceu meus amigos e alguns familiares, levei ela pra conhecer a região e pudemos passar ótimos dias juntos, ficando ainda mais próximos. Mas o problema era que, como falei no início, ela estava em um intercâmbio de curto prazo, então não iria ficar no país por muito tempo.
Começamos a ter conversas mais profundas a respeito da nossa situação e senti que eu era mais preocupado com essa questão, pois eu tinha noção do quanto seria difícil manter um relacionamento à distância com ela morando em outro país (ela é asiática) e nós sem perspectiva alguma de podermos nos encontrar de novo por questões financeiras. Em poucos dias ela ia voltar pra outra cidade e em poucos meses ia estar voltando pro país dela. Mas mesmo assim ela "pressionava" para que assumíssemos um relacionamento sério naquele momento. Apresentei esses pontos de dificuldade a ela e disse que seria melhor que aproveitássemos melhor o momento e ver como seria a nossa relação depois que ela estivesse de volta ao seu país, mas que eu estaria disposto a tentar, caso víssemos que, nessa situação, o relacionamento pudesse resistir. Na hora, ela pareceu satisfeita com isso.
O tempo passou e ela enfim voltou ao país dela e após alguns dias, começou a falar que estava muito mal emocionalmente, que pensava muito em mim e que manter contato comigo sem poder me ver não estava sendo saudável pra ela e que precisava me esquecer. Tomou a decisão de me bloquear de todas as redes sociais e deletou também todas as pessoas que ela conheceu através de mim. (eu conheci ela o suficiente pra saber que isso não foi uma desculpa esfarrapada pra me dispensar). Fiquei de mãos atadas pois não tinha mais forma nenhuma de me comunicar com ela. De forma frustrada, vida que segue.
Após alguns anos, ela me desbloqueou nas redes sociais! Pude acompanhar novamente como ela estava, lugares que estava indo, aparentemente terminou um relacionamento cerca de um mês depois de me desbloquear... Mas no momento, visto que eu ainda não tinha perspectiva de poder visitá-la ou algo do tipo, preferi respeitar a decisão dela de cortar laços, até porque eu nem sabia se ela nutria algum sentimento por mim. Podia tentar contato e quebrar a cara feio, ou trazer o sentimento de tristeza novamente, piorando ainda mais as coisas. Beleza, vida que segue novamente. Mas um tempo depois, algo me chamou atenção. Ela publicou um texto no Instagram na língua dela com uma imagem toda preta. eu joguei no Google tradutor e, pasmem, ela estava falando de mim! Pedi a uma amiga que também é do país dela pra traduzir, visto que a tradução online não foi 100% e ela mesma ao traduzir percebeu quem era e que era sobre mim (pedi pra traduzir sem contar de onde tirei o texto). Aproveitei pra conversar com essa amiga e pedir a opinião dela se eu devia falar com a menina, mas na opinião dela não era uma boa ideia pois eu não ia poder 'fazer nada' (encontrá -la pessoalmente). Vida que segue novamente.
Nesse último ano, no entanto, uma coisa está me incomodando bastante. Eu simplesmente não consigo me envolver emocionalmente com outra pessoa, pois ainda sinto que tenho a possibilidade de estar com ela novamente e acho que vale a pena correr atrás disso. Vários anos já se passaram e eu amadureci bastante e tenho certeza que ela também, e agora eu já tenho uma perspectiva de poder ir pra fora do país, seja temporária ou permanentemente! Então as coisas mudaram bastante. Mas acho que apostar todas as fichas em ir para o país dela e depois tentar contato pode ser um grande desastre. E se ela não gostar mais de mim? E se, ao nos conhecermos mais depois de mais maduros concluirmos que não vamos dar certo? Eu vou perder todas as oportunidades de conhecer outra pessoa legal por algo que nem sei ser possível?
Por isso, eu estava pensando em tentar voltar a ter contato com ela, principalmente porque atualmente as redes sociais dela não mostram muitas informações/fotos para quem não a tem adicionada. Tentar conversar com ela e construir uma relação antes de qualquer chance de nos vermos. Estou aprendendo a língua do país dela inclusive, não exatamente por causa disso mas que na área que estou me formando, vai ser um grande diferencial no futuro para eu entrar em uma grande empresa.
Enfim, gostaria de saber a opinião de vcs sobre o que fazer. Sinto que o que mais preciso é de uma perspectiva sobre as nossas chances. Se por acaso ela me dispensar de forma mais definitiva, acho que quebraria essa barreira de me relacionar profundamente com outras pessoas.
É isso gente. Obrigado a quem teve disposição de ler tudo isso, vocês são demais. Toda opinião será bem vinda.
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2018.10.04 07:49 seth_br Você gosta de histórias?

Se curte uma história curta de um garoto de uns 16 anos, talvez você esteja no lugar certo, eu não sou um bom escritor mas adoro escrever, vou tentar deixar toda a minha vida o mais claro e mais visível na mente de vocês possível.
Imaginem uma pessoa quieta, bem quieta mesmo, não conseguia nem abrir o bico para falar um simples "oi" para alguns parentes próximos, pois é, essa criança já viveu dentro de mim, por mais que vivesse quieto tinha uma imaginação bem grande mesmo, tipo sonhava com tudo o que via, queria ser muitas coisas, principalmente o Homem-Aranha foi o primeiro filme que assisti, aquele com o Tobey Maguire, gravado em uma fita cassete, puta merda eu assistia aquilo o dia inteiro, quem gravou na fita cassete essa obra prima foi meu avô mas aqui é muito pouco para eu poder contar sobre esse homem incrível, deixa para próxima.
Até aqui é uma vida maravilhosa cara mas as coisas começaram a mudar um pouco mais para frente com o passar dos anos, na 5° série apareceu a matéria educação física, maravilhoso não? Bom... não para mim, eu sempre fui o último ou um dos últimos a serem escolhidos na educação física, olha falando assim parece fácil mas eu lembro perfeitamente daqueles momentos, eles eram dolorosos me reduziam com muita força sobre o mundo, eu não sentia nem que eu era alguém que merecia estar naquele lugar, pois é cara... Se você tá aí com seus 12-15 anos não deixe de escolher alguém na educação física com frequência isso pode causar sérias consequências. Voltando então, na 5° série foi a época que o mundo começou a me f*der bastante, me sentia menos que todos os outros após isso mais ou menos na 7° série eu comecei a perceber como as coisas tinham mudado, minhas notas estavam ruim demais, eu era um péssimo atleta, me escondia em praticamente toda aula de educação física ( Estranho né? Haha) e eu pensava muito em uma coisa, a arte de colocar o seu órgão sexual em outro órgão sexual, acertou quem disse sexo, pois é eu estava com uns 12 anos e pouco e a arte de manusear a maçaneta era bem frequente, fazer o que? Hormônios a flor da pele.
Já da para observar o quanto foi destruído aquela vidinha boa né? Eu sei que problemas aparecem tanto escolares como também financeiros, porém estamos falando do psicológico, o meu não é mais o menos por conta de tudo que já aconteceu mas enfim vamos falar agora sobre a 8° série, as coisas se acalmaram, porém eu tinha uns 3 amigos no máximo, isso era um pouco chato em alguns momentos mas tudo bem, não tem o que reclamar, os caras eram totalmente legais e sempre tivemos uma relação muito boa, o problema é que esses 3 amigos era bem vagabundos por que era repetentes que entraram na minha sala, e é como dizem por aí "más companhias" mas eu ria tanto com eles, eram as únicas pessoas que eu me sentia confortável que estava preso à isso, sem eles eu não era ninguém. Bom a 8° série e 9° série ( agora o ensino fundamental tem 9 anos caso você não saiba) foi resumido entre esses amigos e alguns colegas que não eram tão próximos, já que eu era o alvo de zoação deles, mas enfim então eu me formei mas eu queria algo melhor para mim não queria continuar na escola chata e pacata de sempre, então fiz um vestibulinho para uma escola com ensino médio e curso de informática juntos e... Passei
Olha tenho que admitir os primeiros meses do 1° ano do ensino médio, foi como se meu coração pudesse bater de novo, eu acordava todos os dias bem ansioso para ir para a escola, sempre estava acordado antes mesmo do despertador. Toda essa alegria brotava de inúmeras pessoas novas que eu havia conhecido, não só da minha sala como também das outras, sério foi extraordinário o que estava acontecendo ali era como mágica, estava mais emocionante que a minha infância.
Mas a felicidade minha não dura muito não, com o passar dos meses as coisas apodreceram um pouco, eu estava gostando de uma garota, chorava feito um resto de aborto em casa por causa de mulher, eu comecei à desenvolver a minha apreensão e medo das pessoas que não converso e então meus dias voltaram a ser os mesmos, passar algum tipo de vergonha, errar em alguma coisa e ficar se martelando pelo resto do dia, arrependimento e passei a fazer algo muito, muito, muito merda mesmo, eu comecei a basear minha felicidade em ver a garota na escola, hoje em dia falando parece que era frescura gostar dela mas eu sou uma pessoa que pensa tanto que ela na minha cabeça já estava muito além, já era algo que eu precisava mais do que uma cocaína para um morador da cracolândia, mas graças a Deus com o tempo essa vontade pela garota começou a deixar de existir, eu tinha interesse em outras mas não deu em nada. Eu não falei mas é bom falar, eu nunca beijei nenhuma garota na vida, assustador para você ? Bom, não sei mas para mim depois de tentar tanto de colocar na minha cabeça de que isso é normal acabei me convencendo, um rapaz de virgem e que nunca beijou de 16 anos é normal, assim penso. Bem a minha felicidade após ter deixado de gostar da menina já era algo vagante eu não tinha ela, não era feliz, às vezes sim, é até mesmo confuso para mim e me perdoem se eu me enrolar um pouco a partir daqui por que tudo o que eu vivo com o tempo se torna nebuloso em minha mente como se eu não devesse lembrar.
Eu acabei fazendo bastantes merdas no primeirão, comecei a beber mas tipo não todo dia só quando saía com meus amigos, como nunca tinha bebido passei várias vergonhas, tipo bastante mesmo, eu ficava bem louco, eu mereci isso, fui um idiota do c*#!lho, bebia apenas para remover de mim a barreira de anti socialização e pânico que tinha da maior parte das pessoas e também por que estava louco para beijar alguma garota, qualquer uma, é claro que não consegui nada. Nossa, agora que parei e pensei que não me descrevi, bom eu sou um pouco gordinho, bem pouco mesmo não é muita coisa não, sou branco mas por conta do meu pai ser negro eu tenho um cabelo crespo ou encaracolado sei lá não sei descrever e acho que é isso, talvez consigam me imaginar pelo menos um pouco, ah se você gosta de saber altura, eu tenho 1,72 não sou alto mas tô na média pelo menos.
Um ano se passa e eu vou para o 2° ano, yeah! Agora entrou novas pessoas na escola, estou cercado de gente interessante, mais que antes, está na hora de recomeçar, yeah de novo! Como sempre o começo foi legal conheci bastante gente mas com o tempo eu fiz a mesma merda e comecei a me distanciar novamente de algumas pessoas, algumas eram legais até, agora sobre amor nesse ano... Teve uma garota aí mas não foi grande coisa, graças a Deus. Mas em alguns meses eu fiz de novo a [email protected] de gostar de uma garota e ficar completamente obcecado, meu Deus será que isso é uma síndrome por que é o que parece, minhas notas não estão boas e nem ruins, talvez eu tenha me tornado mais vagabundo ainda, mas depois dessas coisas que passei eu sei até falar um pouco sobre como passar sobre algumas coisas... Mas ainda vivo perdido, eu temo todos que eu tenho vontade de amar ou gostar, eu não sou um bom atleta ainda e não participo da droga da educação física ( maldita educação física ) ou seja eu estava completamente querendo consertar tudo, voltar atrás, queria ser o Marty McFly e pegar o Delorean a fim de consertar o passado, mas como não sou o Marty, tudo o que eu poderia fazer era me lembrar o que houve comigo durante os anos então pensei em escrever algo e aqui estou eu.

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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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2017.11.11 07:06 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois

A quem possa interessar, agora tem uma parte 2: https://www.reddit.com/brasil/comments/7cq1rk/today_i_fucked_up_a_estranha_sensa%C3%A7%C3%A3o_de/
Reencontrei uma pessoa muito querida para mim ontem de maneira completamente randômica. É um caso tão bizarro que não sei para quem desabafar, já que esse "relacionamento" que eu mantive há 12 anos não chegou a ser sequer um relacionamento e nunca contei dele para ninguém. Esperei a esposa dormir, sentei e escrevi um conto. Fiz uma trash account para jogar isso aqui.
Desculpem o desabafo longo, mas foi o lugar que encontrei para soltar isso.
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Aconteceu no fim de tarde de uma sexta-feira quente. A cidade impaciente se esvaía para casa nos ônibus e metrôs lotados, a onda de calor de novembro apertando o passo de quem só queria o refúgio caseiro. Saí do metrô da esperando encontrar uma noite fresca, mas fui pego no pôr-do-sol atrasado do horário de verão. Passara o dia fora do escritório em um evento extremamente técnico e só queria desligar a cabeça. Estava bem vestido, mais do que o de costume. As calças jeans escuras relativamente novas, a blusa social quadriculada que usava quando queria se arrumar – mas nem tanto – e a bolsa de couro recém-comprada para ter um ar mais profissional nesses eventos externos.
Me sentia bonito, sentia até que minha barba reluzia ao pôr-do-sol. Ridículo, né? Um pouco de contexto: sempre fui uma pessoa acima do peso e havia acabado de registrar a perda de 32 quilos e indo à academia diariamente. Como qualquer um que foi gordinha a maior parte da vida, eu estava me sentindo muito bem. Por isso, peço que sejam indulgentes comigo. Até porque esse fato é relevante para a história.
Caminhando pela praça em direção ao ponto do ônibus que me levaria para casa, me desvencilhava dos ambulantes peruanos e suas bolsas falsificadas, dos entregadores de folhetos do sex shop de uma galeria ali perto – frequentadores fiéis da praça desde que eu me entendo por gente e provavelmente responsáveis por um número considerável de árvores derrubadas para fazer seus folhetos nessas décadas – e dos estudantes, que tanto pareciam carecer de pressa. Naquela multidão de gente, me surpreendi por notar alguém que me mirava de cima a baixo logo à minha esquerda.
No começo, não me virei. Julguei ser uma daquelas ilusões que a gente tem no canto do olhar. Três, quatro, dez passos. A pessoa continuava ao meu lado e me olhando atentamente, não sobravam dúvidas. Virei o rosto e dei de cara com ela.
Eu gosto muito de ler, mas não sei se já achei na literatura algum trecho que mostre o quão chocante é reencontrar um amor perdido depois de tantos anos. Ela entrou pelos meus olhos e me atravessou por inteiro, trouxe de volta as memórias que já julgava mortas e enterradas havia muitos anos. Por dentro, eu me senti despedaçado, como se tivesse estourado um balão há muito tempo comprimido no canto do subconsciente. Eu lembrei das manhãs que passava com ela, do dia em que ela me deu um CD do Linkin Park, de quando fui embora sem me despedir e não cortei o relacionamento – tosco, incompleto e desajeitado – que nós mantínhamos.
O choque seria menor, certamente, se não houvesse uma tristeza tão cristalina em seus olhos. Ela rapidamente virou o rosto e apertou o passo, mas eu fiquei ali atrás com aquela imagem fixa na memória. Me permiti olhá-la por inteiro enquanto avançava à minha frente. Não por desejo, mas por saudade. Saudade da pele morena, do cabelo ondulado que lhe descia pelas costas da mesma forma que fazia há mais de uma década. E saudade dos olhos de arteira que ela tinha, dos quais eu só lembrei depois de vê-los tão melancólicos. Nos conhecemos no fim do segundo grau e começo da faculdade, não éramos mais crianças. Mas os olhos dela sempre me encantavam: pareciam os olhos de alguém que está ansioso e animado ao mesmo tempo, o olhar de criança que está prestes a fazer merda e sabe disso.
Por sorte, ela seguia na mesma direção do ponto de ônibus e eu a seguia com meus olhos. Não tive forças para cumprimentá-la, a vergonha falou mais alto. Ela também não quis fazê-lo e foi fácil entender porque. Ela envelhecera bem mais do que eu esperava. Tínhamos a mesma idade, eu e ela, mas lhe daria uns dez anos a mais do que eu sem pensar duas vezes. Ganhara peso, o rosto e o cabelo pareciam maltratados, a roupa era desleixada. Nenhum julgamento aqui, quem não teve seu dia de ‘foda-se o mundo’ que atire a primeira pedra. E mesmo assim fez o meu coração parar. E mesmo assim eu só queria correr para perto dela e dizer oi.
Eu e ela éramos criaturas estranhas. Nós dois vínhamos de famílias de classe baixa, nós dois estávamos em um curso de inglês pago por algum parente mais rico, nós dois começamos a trabalhar cedo, nós dois éramos excelentes alunos, nós dois fazíamos parte daquela onda de rock do começo dos anos 2000 que incluía Linkin Park, Evanescence, System of a Down e algumas outras bandas que estavam na moda na época.
Começamos a nos aproximar quando contei para ela que queria fazer XXXXX (carreira omitida). Ela também queria, por isso passamos o ano anterior ao vestibular trocando dicas, comentando provas e trocando confidências no fim da aula de inglês. Eu fazia questão de levá-la para casa todos os dias após o fim da aula de inglês e nós acabamos ficando muito próximos. Só tinha um detalhe: eu e ela éramos comprometidos. Eu namorava uma colega de escola há pouco menos de um ano e era perdidamente apaixonado por ela, apesar dela ter se tornado uma companheira extremamente abusiva ao longo do relacionamento e termos nos separado. Ela namorava um amigo de infância, tinha tudo para crer que ela também era apaixonada por ele e estava prestes a se casar dali a um ano e meio. Sim, ela casou-se ridiculamente cedo, com apenas 20 anos e teve dois filhos logo depois, pelo que eu ficaria sabendo mais tarde por acidente. Nesse período de cerca de dois anos, mantivemos esse relacionamento estranho que eu sequer sei como classificar. Recém-chegados no curso achavam que éramos namorados, apesar de nós nunca nos abraçarmos, andar de mãos dadas ou coisas do gênero. Os alunos que estudavam conosco há mais tempo e já tinham visto nossos verdadeiros namorados achavam apenas que colocávamos chifres neles. Nós nunca fizemos absolutamente nada. Não houve beijo, não houve cabeça no ombro, não houve mãos dadas. Fisicamente, nunca houve nada. Mas havia ali uma cumplicidade quase criminosa, olhares mais longos do que o necessário, um quase que jamais se tornava realidade. Talvez esse carinho fosse fruto de sermos tão parecidos e termos origens tão similares.
Mas tudo acabou sem aviso. Em um intervalo de meses, sofri um duplo revés. O parente que pagava o meu curso descobriu que estava com câncer e seus custos com saúde aumentaram drasticamente. Eu já estava trabalhando e podia pagar, mas perdi o emprego no mesmo semestre. Tudo aconteceu em um intervalo de um mês, em janeiro, e eu não pude voltar ao curso para o semestre seguinte. Era uma época diferente. As redes sociais não eram tão onipresentes (eu tinha meu bom e velho Orkut, ela achava rede social bobeira) e não havia Whatsapp. E algo em mim insistia em dizer que era errado ligar para ela, que era ir longe demais. Então eu sumi da vida dela sem aviso, sem dar satisfação. Simplesmente não me matriculei no curso e jamais toquei no assunto com ninguém, nem com meus amigos mais próximos. Doeu – e doeu muito – mas eu deixei a vida sedimentar tudo aquilo. Eu ganhei peso, meu relacionamento com aquela namorada não andava bem. Naquele momento, eu só queria sumir e não ver mais ninguém. E aquela saída brusca acabou me ajudando nesse sentido. Some aí a baixa auto-estima. Eu nunca achava que uma mulher estava dando bola para mim até elas praticamente se jogarem no meu colo. Quase todas as mulheres com quem saí tiveram a iniciativa ou deixaram bem claro que queriam alguma coisa, sempre fui lerdo ao extremo para flerte. E perdi grandes oportunidades por conta disso, mas isso é passado e não me causa dor, só uma risadas. Exceto nesse caso.
De lá para cá, soube pouco dela. Descobri por um grande acaso que ela teve dois filhos logo após o casamento (Orkut de amigo de um amigo de um amigo que estava no chá de bebê do segundo filho dela, rs). Também vi que ela não passou no vestibular para a carreira que escolhemos, senão seria mais fácil encontrá-la. O curso era bem concorrido e ela não passou duas vezes. Na terceira, já estava com filho e casada, então não avançou. Esbarrei com ela enquanto estava grávida do primeiro fazendo compras no mercado com o marido. Nesse dia, eu estava acompanhado de vários amigos, completamente bêbado e indo para uma festa na região boêmia da cidade. Trocamos um olhar meio constrangido nesse dia, nada mais. Tinha uma mágoa bem nítida nos olhos dela, mas eu ainda relutava em acreditar que eu significava muita coisa para aquela menina. Eu só iria me tocar anos mais tarde que eu, apesar de estar fora dos padrões de beleza, recebia sim atenção do sexo oposto.
Agora avançamos 12 anos no futuro. Cá estou eu, perdido, olhando para uma mulher que teve um relacionamento tão tênue e tão profundo comigo ao mesmo tempo. Ela parou e entrou em uma loja de sapatos em frente ao ponto de ônibus para o qual eu estava indo e, mesmo pela vitrine, trocamos alguns olhares demorados. Eu queria chegar perto, eu queria dizer oi, eu queria chamá-la para jantar. Mas, no auge dos meus 30 e poucos anos, eu me senti um adolescente envergonhado de 17. E uma voz bem clara ecoava na minha cabeça: “você é casado, você tem um casamento muito feliz e você nunca traiu sua esposa e nenhuma das suas outras ex-namoradas. Você não vai começar a fazer merda agora”.
E se eu fosse dar um oi, serviria de quê? Requentaria um amor adolescente que provavelmente só faria mal a nós dois? Reviveria a mágoa daquele adeus decepado, sem dar a menor satisfação? Tudo isso só transformava minhas pernas em âncoras que meus olhos teimavam em ignorar. Ela saiu da loja e, pela primeira vez naquele fim de tarde, me olhou de forma direta. Sem aquela desviada de olhar que vem um par de segundos depois, sem aquela sensação de acidente ou constrangimento. Nos encaramos por um período que, me perdoem o clichê, parecia uma eternidade. Eu sabia que aquela era a minha deixa para chegar mais perto, mas eu não fui. Ela me deu as costas e sumiu na multidão, provavelmente para sempre. Meu coração ficou ali perdido, sem saber como era possível lembrar-se de tanta coisa em tão pouco tempo.
Sentado no ônibus de volta para a casa, as memórias vinham em atacado. O dia em que ela fez uma cópia do Hybrid Theory e me deu de presente de aniversário. A vez em que eu ganhei de um amigo meu um chaveiro do Nirvana e, quando ela foi pegar para ver, sem querer seguramos as mãos por uns segundos que pareciam compreender toda a história da humanidade. Quando levei meu discman para o curso e a gente escutou junto um álbum do System of a Down no ano em que lançaram Hypnotize e Mezmerize.
É triste a vida ser tão curta, eu concluí. Tem tanto amor para se viver, tanta história que poderia se escrita a dois que nós nunca vamos conhecer. Tanta coisa inesperada que acontece num fim de tarde sem propósito, tanta coisa que a gente deixa de perceber e que acontece porque você notou alguém no canto do seu olho. E eu, muito provavelmente, nunca mais vou vê-la. Se eu tivesse a oportunidade de reviver esse momento, eu não sei o que eu faria. Chamava para tomar um café e pedia desculpa por nunca ter falado que eu era perdidamente apaixonado por ela e que vivia um relacionamento conturbado com uma companheira abusiva, mas que a baixa auto-estima me impedia de agir? Diria que havia praticamente esquecido que ela existia nos últimos 10 anos, mas que bateu um misto de culpa e carinho enormes tanto tempo depois? Não acho que nada disso valeria a pena.
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2017.08.13 04:49 Harunk [Desabafo] É a primeira vez que uma menina realmente demonstra interesse sexual em mim e eu sou tão pé-rapado que nem ao menos tenho um lugar aonde possamos fazer amor.

Falaí, Reddit.
Eu sou um cara relativamente novo, tenho vinte anos de idade, cresci em casa conservadora e ainda moro com meus pais, estou estudando Letras no momento e a minha grana está terrivelmente curta. Conheci uma menina esses tempos atrás e rolou uma química instantânea, tanto que no outro dia, já estávamos nos beijando no parque local. O tempo passou e ambos estávamos cada vez mais excitados um com o outro, ao ponto em que eu estava considerando coisas que antes me deixavam desconfortável.
O que acontece é o seguinte, Reddit, essa pessoa maravilhosa e gostosa que entrou em minha vida é trans. Minha família não aceitaria de forma alguma, e se ela imaginasse que os chupões que estão em meu pescoço foram feitos por uma menina trans, eles provavelmente me transformariam em um morador de rua. Essa menina realmente queria algo comigo e ela sendo uma pessoa como a que penso que seja, não seria do tipo de ir em motel, de fato, eu acho isso vulgar e sujo pra caralho, é como se eu tivesse tratando a pessoa que gosto como uma prostituta barata que eu sinto vergonha de ter contato. Então, todo esse tesão contido de duas semanas de interação teve de ser jogado fora, ou pelo menos, deixado para mais tarde - Eu não sei se é uma questão de orgulho, ou somente por conta de meu estado emocional, mas nem ao menos consegui me masturbar hoje, eu me senti absolutamente patético ao olhar os nudes dela e pensar que eu poderia sentir aquela carne na minha, mas que não pude pois eu sou pobre demais para isso. Agora estamos criando distância e eu não tenho certeza do que estamos sentindo, mas eu sei que foi obviamente broxante e eu falei isso para ela, ela tentou dizer que não se importava com isso, o que somente me fez sentir pior, pois eu sou um idiota orgulhoso e detesto que sintam piedade de mim.
O fato é esse, Reddit, eu sou um pé-rapado do caralho que nem ao menos tem um lugar onde possa fazer amor com a pessoa que gosta. Eu me sinto absolutamente patético e solitário no momento.
[EDIT] : Eu agradeço as sugestões, mas eu LITERALMENTE não tenho dinheiro, sou do tipo de cara que vai de Havaianas e bermudas pro serviço.
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